Condições Comuns

Informações claras e confiáveis sobre as condições que mais afetam a saúde pélvica feminina. Entenda o que pode estar acontecendo, reconheça os sintomas e saiba quais tratamentos existem.

Condição 1 de 4

Incontinência urinária

O que é?

A incontinência urinária é a perda involuntária de urina — ou seja, quando a urina escapa sem que você consiga controlar. Pode acontecer ao tossir, espirrar, rir, pegar peso ou até mesmo ao caminhar. É uma condição muito comum: estima-se que uma em cada três mulheres acima de 40 anos conviva com algum grau de perda urinária.

Existem diferentes tipos, sendo os mais comuns:

De esforço

Perda de urina ao fazer esforço físico — tossir, espirrar, rir, correr ou levantar peso. Acontece porque os músculos do assoalho pélvico ou o esfíncter da uretra estão enfraquecidos.

De urgência

Vontade súbita e intensa de urinar, com perda de urina antes de chegar ao banheiro. A bexiga contrai de forma involuntária.

Mista

Combinação dos dois tipos anteriores — tanto ao esforço quanto com urgência. É bastante frequente em mulheres.

Quais são os sintomas?

  • Perda de urina ao tossir, espirrar, rir ou fazer exercícios
  • Necessidade urgente e repentina de ir ao banheiro
  • Não conseguir segurar a urina ao ouvir barulho de água ou chegar em casa
  • Precisar usar absorvente ou protetor por causa das perdas
  • Acordar várias vezes à noite para urinar

Quais são as causas?

A incontinência urinária pode ser causada por diversos fatores, muitas vezes combinados: gravidez e partos (especialmente partos normais difíceis), menopausa e queda dos hormônios, obesidade, constipação intestinal crônica, cirurgias pélvicas anteriores, tosse crônica, envelhecimento natural dos tecidos e predisposição genética.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa com uma conversa detalhada sobre seus sintomas e um exame físico. O médico pode solicitar um diário miccional (você anota quando e quanto urina durante alguns dias), exame de urina para descartar infecção, e em alguns casos um estudo urodinâmico — um exame que avalia como sua bexiga funciona.

Questionários para avaliar melhor os sintomas

OABSS e ICIQ-OAB ajudam a organizar sintomas de urgência, frequência, noctúria, perdas por urgência e impacto na qualidade de vida. Eles não substituem consulta, mas facilitam explicar o problema e acompanhar a resposta ao tratamento.

Quais são os tratamentos?

A boa notícia é que existem vários tratamentos eficazes:

Fisioterapia pélvica

Exercícios para fortalecer o assoalho pélvico. É o tratamento de primeira escolha e melhora cerca de 70% dos casos.

Mudanças de hábitos

Controlar peso, tratar constipação, evitar excesso de cafeína e adequar a ingestão de líquidos.

Medicamentos

Em casos de urgência, medicamentos podem ajudar a relaxar a bexiga. Hormônios locais podem ajudar na menopausa.

Cirurgia

Quando o tratamento conservador não é suficiente, existem cirurgias minimamente invasivas com altas taxas de sucesso.

Plano comportamental para perda urinária

Além da fisioterapia, a avaliação pode incluir micção programada, controle do peso como modificação de estilo de vida para IU, cessação do tabagismo como modificação de estilo de vida para IU e manejo da constipação como modificação de estilo de vida para IU. Terapia comportamental em grupo foi associada a melhora da qualidade de vida e redução da gravidade da IU em Steenstrup et al., 2022.

Perder urina NÃO é normal em nenhuma idade. Não é algo com o que você precise "se acostumar". Existem tratamentos eficazes — procure ajuda.
Vídeos: Incontinência Urinária

Entenda a incontinência urinária

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Condição 2 de 4

Bexiga hiperativa

O que é?

A bexiga hiperativa é uma condição em que a bexiga se contrai de forma involuntária, causando uma vontade urgente e incontrolável de urinar. Isso acontece mesmo quando a bexiga não está cheia. É como se a bexiga enviasse "sinais errados" ao cérebro, dizendo que precisa esvaziar quando ainda não precisa. Estima-se que 25% das mulheres acima de 40 anos tenham ou terão sintomas de bexiga hiperativa.

Quais são os sintomas?

  • Urgência: vontade súbita e forte de urinar, difícil de adiar
  • Frequência aumentada: ir ao banheiro mais de 8 vezes durante o dia
  • Noctúria: acordar 2 ou mais vezes à noite para urinar
  • Perda de urina: em cerca de metade dos casos, a urgência vem acompanhada de escape

Quais são as causas?

Na maioria das vezes, não existe uma causa única. A bexiga hiperativa pode estar relacionada a alterações nos nervos que controlam a bexiga, enfraquecimento do assoalho pélvico, menopausa, infecções urinárias de repetição, consumo excessivo de cafeína ou álcool, ansiedade e estresse, obesidade e até alterações no intestino.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é essencialmente clínico — baseado nos seus sintomas. O médico vai perguntar sobre sua rotina urinária e pode pedir um diário miccional (anotar horários e volumes de urina por 1 a 3 dias). Exame de urina é feito para descartar infecção. O estudo urodinâmico geralmente não é necessário, exceto em casos que não melhoram com o tratamento inicial.

Questionários para bexiga hiperativa

OABSS — Overactive Bladder Symptom Score e ICIQ-OAB — International Consultation on Incontinence Questionnaire – Overactive Bladder Module são instrumentos úteis para medir intensidade dos sintomas e incômodo no dia a dia.

Quais são os tratamentos?

O tratamento é feito em etapas, do mais simples ao mais avançado:

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Mudanças comportamentais

Treinamento da bexiga (aumentar gradualmente o intervalo entre idas ao banheiro), reduzir cafeína e bebidas gaseificadas, adequar ingestão de líquidos e exercícios para o assoalho pélvico.

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Medicamentos

Remédios que ajudam a bexiga a relaxar (anticolinérgicos ou agonistas beta-3). Escolhidos conforme o perfil de cada paciente. Estrogênio vaginal pode ajudar na menopausa.

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Tratamentos avançados

Para casos que não melhoram: aplicação de toxina botulínica na bexiga, neuromodulação (estimulação elétrica de nervos) ou, em situações extremas, cirurgia.

Plano comportamental para bexiga hiperativa

O acompanhamento pode combinar micção programada, diário miccional, adequação de líquidos, controle do peso, cessação do tabagismo e manejo da constipação quando esses fatores pioram urgência, frequência ou perdas urinárias.

Vídeos: Bexiga Hiperativa

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O que é, tratamentos e medicamentos

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Medicamentos para bexiga hiperativa
Condição 3 de 4

Prolapso de órgãos pélvicos

O que é?

O prolapso de órgãos pélvicos acontece quando os músculos e ligamentos que sustentam os órgãos da pelve (bexiga, útero, reto) se enfraquecem, e esses órgãos "descem" de sua posição normal. Em casos mais avançados, é possível sentir ou até ver um abaulamento na entrada da vagina. Muitas mulheres descrevem como uma sensação de "algo saindo pela vagina" ou um peso na região.

É mais comum do que se imagina — cerca de metade das mulheres que tiveram filhos por parto normal apresentam algum grau de prolapso, embora nem todas tenham sintomas.

Quais são os sintomas?

  • Sensação de peso, pressão ou "bola" na vagina
  • Abaulamento visível ou palpável na vagina
  • Dificuldade para esvaziar completamente a bexiga ou o intestino
  • Dor lombar que piora ao longo do dia e melhora ao deitar
  • Desconforto ou dor durante a relação sexual
  • Sensação de que algo está "caindo" ao ficar em pé ou caminhar

Quais são as causas?

Os principais fatores de risco são: partos vaginais (especialmente múltiplos ou com bebês grandes), menopausa e queda dos hormônios, envelhecimento, obesidade, constipação crônica com esforço para evacuar, tosse crônica, trabalhos que envolvem levantamento de peso e predisposição genética (histórico familiar).

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é feito pelo exame físico ginecológico, em que o médico pede para você fazer força enquanto examina a região. Isso permite ver se existe descida dos órgãos e em qual grau. Em geral não são necessários exames de imagem, exceto em casos específicos ou quando se planeja cirurgia.

Quando há sintomas urinários junto do prolapso

Se o prolapso vem acompanhado de urgência, frequência ou perda urinária, OABSS e ICIQ-OAB podem ajudar a separar sintomas de bexiga hiperativa/IU daqueles causados pelo suporte pélvico.

Quais são os tratamentos?

Observação

Casos leves e sem sintomas podem ser apenas acompanhados com orientações de prevenção.

Fisioterapia pélvica

Fortalecimento do assoalho pélvico pode estabilizar ou até melhorar prolapsos leves a moderados.

Pessário vaginal

Dispositivo de silicone colocado na vagina que sustenta os órgãos. Boa opção para quem prefere não operar.

Cirurgia

Indicada para casos moderados a graves com sintomas. Existem diversas técnicas, escolhidas conforme cada caso.

Hábitos associados ao prolapso e à IU

Quando há perda urinária junto do prolapso, entram na avaliação controle do peso, cessação do tabagismo, manejo da constipação e, se houver urgência/frequência, micção programada para reduzir sobrecarga pélvica e sintomas urinários.

Prolapso NÃO precisa necessariamente de cirurgia. Existem opções conservadoras eficazes. Quanto mais cedo buscar ajuda, mais opções de tratamento você terá.
Condição 4 de 4

Infecção urinária de repetição

O que é?

A infecção do trato urinário (ITU) é uma infecção causada por bactérias que atingem o sistema urinário. A forma mais comum é a cistite (infecção na bexiga). Quando uma mulher tem 3 ou mais episódios em um ano, ou 2 em seis meses, chamamos de infecção urinária de repetição. A bactéria mais frequente é a Escherichia coli, presente naturalmente no intestino.

Quais são os sintomas?

  • Ardência ou dor ao urinar
  • Vontade frequente de urinar, mas em pequena quantidade
  • Urgência para ir ao banheiro
  • Dor na parte baixa da barriga
  • Urina com cheiro forte ou aspecto turvo
  • Em casos mais graves: febre, dor lombar e mal-estar (pode indicar infecção nos rins)

Quais são as causas e fatores de risco?

A anatomia feminina (uretra mais curta e próxima ao ânus) já favorece as infecções. Outros fatores incluem: relação sexual, menopausa (a queda hormonal altera a flora vaginal protetora), uso de diafragma ou espermicida, histórico familiar, constipação intestinal e uso inadequado de antibióticos que altera a flora bacteriana natural.

Como é feito o diagnóstico?

Para um episódio simples, os sintomas já podem ser suficientes para o diagnóstico. Em casos de repetição, o médico vai pedir urocultura (exame que identifica a bactéria e quais antibióticos funcionam contra ela). Exames de imagem como ultrassom podem ser solicitados para investigar se existe alguma alteração anatômica que favoreça as infecções.

Quando a urgência não é só infecção

Em sintomas persistentes após tratar ou excluir ITU, OABSS e ICIQ-OAB ajudam a avaliar se existe bexiga hiperativa ou incontinência urinária associada.

Quais são os tratamentos?

O tratamento envolve tratar o episódio agudo e prevenir novos:

Episódio agudo

Antibióticos de curta duração (3 a 5 dias). A escolha depende da bactéria e da sensibilidade no exame.

Medidas preventivas

Beber bastante água, urinar após relação sexual, higiene da frente para trás, evitar duchas vaginais.

Estrogênio vaginal

Na menopausa, o estrogênio local restaura a flora vaginal protetora e reduz significativamente as infecções.

Profilaxia

Em casos persistentes: antibiótico em dose baixa, imunoestimulantes ou antibiótico pós-relação sexual.

Quando os sintomas parecem infecção, mas persistem

Se urgência, frequência ou perdas continuam após tratar/excluir infecção, a avaliação deve considerar bexiga hiperativa ou IU. Nesses casos, micção programada, controle do peso, cessação do tabagismo e manejo da constipação podem fazer parte do cuidado.

Vídeos: Diagnóstico e Consulta

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